terça-feira, 23 de agosto de 2011

Onze ativistas e uma sentença

Justiça absolve ativistas que fizeram história ao invadir o jantar da rainha da Dinamarca durante a Conferência de Clima de 2009. Protesto pacífico pedia ação política contra mudança climática.




Ativistas são levados para a prisão após protesto no palácio. © Scanpix / Jens Norgaard Larsen

Terminou em absolvição o julgamento de 11 membros do Greenpeace acusados após protesto pacífico em Copenhague, durante a 15a Conferência de Clima da ONU (COP15), em 2009. Quatro ativistas chegaram a passar vinte dias atrás das grades pelo "crime" de chamar a atenção do mundo para a inércia política frente às mudanças climáticas.

O protesto aconteceu na noite do dia 17 de dezembro, em uma mirabolante invasão do Palácio de Christiansborg, onde a rainha Margarida 2ª recebia mais de cem chefes de Estado para o maior jantar oficial da história do país. Infiltrados no evento em um carro de placa 007, com um adesivo em que se lia “Delegação Planetária Greenpeace”, os ativistas atingiram o salão principal e, sob olhares da imprensa mundial, abriram um cartaz que dizia: “Líderes agem, políticos falam”.

Conheça os bastidores do protesto aqui.

Sob acusação de crime contra a rainha, Juan A. Lopez de Uralde, da Espanha, Nora Christiansen , da Noruega, Christian Schmutz, da Suíça, e Joris Thijssen, da Holanda, conhecidos como os “quatro do tapete vermelho”, chegaram a passar o Natal de 2009 presos. Junto a eles, os outros colegas envolvidos na preparação do prostesto aguardaram quase dois anos pelo julgamento, que terminou nesta segunda-feira, 22 de agosto. A sentença estabeleceu o pagamento de uma multa, mas absolveu os manifestantes das acusações de invasão e falsificação de documentos. Neste caso, o tribunal entendeu que tudo não passou de um protesto pacífico.

“As acusações que enfrentamos foram desproporcionais ao caráter pacífico de nossa manifestação, realizada em um momento histórico, de extrema importância política”, disse Nora Christiansen. “Este tipo de ameaça pode impedir outros que queiram realizar protestos pacíficos, um elemento essencial à democracia”, lembrou Nora, e acrescentou: “Com a proximidade da 17a Conferência de Clima, em Durban (África do Sul), nossa manifestação está mais atual do que nunca”.

Joris Thijssen fez um discurso ao juiz, falando do valor da insubordinação civil como forma de cobrar atitudes políticas daqueles que nos representam.

Leia, abaixo, trecho de sua fala:

“Em 2009, a Dinamarca recebeu uma importante conferência para o combate às mudanças climáticas. O Primeiro-Ministro dinamarquês disse, à época, que “o mundo está olhando para esta conferência como um marco para a segurança da humanidade”, o que indicava a gravidade e a urgência da situação.

Apesar de serem as palavras de um chefe de estado, foram apenas palavras. Nós tínhamos que agir. Acredito que há espaço na lei para atitudes como a nossa. Como cidadãos preocupados, vimos nossos políticos falharem em serem líderes. Vimos como o maior problema de todos os tempos não iria ser resolvido. Precisamos usar o espaço que a democracia nos concede para exigir mais de nossos representantes.

A este respeito, certa vez disse Gandhi: “Desobediência civil vira um direito sagrado quando o Estado torna-se corrupto demais”. Podemos discutir a definição de ‘corrupto’, mas sinto que quando nossos governantes não agem pelos interesses da humanidade, existe uma razão para levantarmos nossa voz”.



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