Ararinha-azul: Cobiçada no mercado internacional por sua plumagem. Há apenas cerca de cinqüenta desses animais, vivendo no Piauí e na Bahia.
domingo, 28 de agosto de 2011
Biodigestor transforma dejetos de criações de porco e gado em renda
Brasil está entre os líderes do mundo em criação de animais. Mas sem manejo adequado, os dejetos se transformam em fontes de poluição.
Criadores enfrentam o desafio de criar animais confinados em grande quantidade e ao mesmo tempo reduzir o impacto da poluição que eles provocam. São criadores de gado e de porcos que usam o biodigestor. O equipamento trata os dejetos dos animais e dá renda.
Quando o assunto é criação de animais, o Brasil está entre os líderes do mundo. De norte a sul do país, sítios e fazendas abrigam milhões de cabeças de gado de corte, vacas leiteiras, porcos, cabras, ovelhas e frangos. Além de serem enormes, os rebanhos têm boa produtividade, geram riquezas pelo território e garantem uma oferta abundante de alimentos para a população.
O problema é que em certos lugares a concentração de animais é tão grande, que traz riscos para a natureza. Afinal, onde tem muito bicho, tem muito estrume e muita urina. São dejetos que sem manejo adequado se transformam em fontes de poluição.
A ecóloga Magda Lima estuda o assunto na Embrapa Meio Ambiente, que fica em Jaguariúna, São Paulo. Segundo ela, se consideramos apenas os rebanhos confinados de bovinos, aves e porcos no Brasil, a produção de estrume e urina chega 410 milhões de toneladas por ano, o que equivalente a mais de um milhão de toneladas por dia.
“Você tem uma quantidade muito grande de elementos no solo e que às vezes não tem capacidade para absorver esses elementos. Pode ser também que tenhamos problemas de infiltração desses elementos até os lençóis freáticos. Podemos também ter problemas de contaminação de rios, açudes e recursos hídricos em geral”, alerta a ecóloga.
Sem o manejo adequado, os dejetos também atraem moscas, que podem transmitir doenças para rebanhos e seres humanos. Além disso, o esterco ao ar livre produz gases como dióxido de carbono e, principalmente, o metano. Esses são os chamados gases de efeito estufa, que provocam a elevação da temperatura do planeta.
Segundo especialistas, o fenômeno, conhecido como aquecimento global, já está provocando mudanças no clima.
A doutora Magda explica que várias atividades do mundo moderno, como indústrias, usinas, carros, aviões liberam gases que provocam o aquecimento global.
No campo, os maiores vilões são as queimadas, que geram dióxido de carbono; a movimentação de terra, que produz óxido nitroso; e os enormes rebanhos comerciais, que liberam milhões de toneladas de metano para a atmosfera. Quanto maior o volume de animais, maior a produção de gases poluentes.
Um grande desafio da agropecuária moderna é produzir alimentos de qualidade, em quantidade e, ao mesmo tempo, combater a poluição. Criadores no sul do Brasil estão conseguindo enfrentar essa questão de maneira inteligente.
Com lavouras, casinhas coloridas e fazendas arrumadas, o oeste paranaense chama atenção pela beleza e pela qualidade de vida. O produto mais importante da região de Toledo é a soja, cultivada principalmente em propriedades médias ou pequenas, com mão de obra familiar e tecnologia moderna.
Além de ter soja a perder de vista, a região também se destaca como um dos principais polos de produção de suínos do Brasil. O oeste do Paraná concentra cerca de 3,2 mil granjas. Juntas, elas abrigam nada menos do que 1,7 milhão de porcos.
A alta concentração de galpões e animais já provocou muitos problemas ao longo do tempo, como vazamentos de estrume, acidentes, descuido e descaso. Mas esse quadro vem mudando nos últimos anos.
Pequeno produtor típico da região, Serafim Zaura é de uma família de origem italiana que trabalha no campo há várias gerações. Ele planta soja, cria porco e até alguns anos atrás lidava com o esterco do jeito tradicional.
As primeiras mudanças começaram há oito anos. Os dejetos dos animais passaram a ser totalmente canalizados para esterqueiras de alvenaria. Ao longo do ano, o material é aproveitado na lavoura de maneira controlada.
Graças a esses cuidados, a granja do produtor passou a funcionar com licença ambiental. “Está todo mundo fazendo. É uma necessidade que as empresas cobram”, diz Serafim.
O biólogo Ademar Peiter é funcionário do Instituto Ambiental do Paraná, órgão responsável pelo licenciamento das granjas. “Atualmente, é difícil encontrar problemas. Ainda acontece na região por denúncias ou alguma coisa assim. É uma coisa normal você ir à propriedade e encontrar um ambiente desses”, explica.
A adoção em massa das esterqueiras representou grande melhoria para os criadores e para a natureza da região. Mas a esterqueira sozinha não resolve todos os problemas. Afinal, os dejetos ao ar livre também produzem gases poluentes, como o metano, que contribui pro aquecimento global. Então, entra o biodigestor. Com ele, além de evitar a contaminação do solo e das águas, os criadores reduzem a emissão de gases nocivos na atmosfera.
Um biodigestor nada mais é do que um reservatório coberto com lona plástica. O tanque que vai receber os dejetos tem paredes revestidas com concreto ou lona. O tamanho e a profundidade variam de acordo com o lugar e o volume de dejetos de cada criação.
O material entra no tanque e vai se deslocando lentamente até sair do outro lado. Durante o percurso, que dura cerca de 30 dias, ocorre o tratamento dos dejetos, que se tornam menos poluentes, como explica o engenheiro ambiental Guilherme Dalmazo.
“Dentro do biodigestor as bactérias presentes nos dejetos consomem a matéria orgânica proveniente da granja. É um processo biológico onde toda a matéria orgânica não digerida pelos animais é decomposta pelas bactérias no biodigestor, que vão se alimentando e produzindo o biogás”, detalha Dalmazo.
O biogás é inflamável e, por isso, pode ser aproveitado na propriedade como combustível. Ele pode movimentar motores, gerar energia elétrica e aquecer granjas ou casas nos meses de frio. Uma vantagem ecológica é que com a queima do gás ocorre a destruição do metano, muito agressivo pro meio ambiente. Outro benefício ecológico é que ao passar pelo tratamento, o dejeto da granja fica mais suave, com carga orgânica mais baixa. É o biofertilizante: um adubo orgânico de qualidade, que pode ser usado em pastagens e lavouras.
Além de funcionar com dejetos de animais, o biodigestor pode ser abastecido por outras fontes de matéria orgânica. É o caso das palhas e sobras de cultivo, do vinhoto das usinas de cana, do esgoto doméstico e até de restos de indústrias de alimentos.
Criadores enfrentam o desafio de criar animais confinados em grande quantidade e ao mesmo tempo reduzir o impacto da poluição que eles provocam. São criadores de gado e de porcos que usam o biodigestor. O equipamento trata os dejetos dos animais e dá renda.
Quando o assunto é criação de animais, o Brasil está entre os líderes do mundo. De norte a sul do país, sítios e fazendas abrigam milhões de cabeças de gado de corte, vacas leiteiras, porcos, cabras, ovelhas e frangos. Além de serem enormes, os rebanhos têm boa produtividade, geram riquezas pelo território e garantem uma oferta abundante de alimentos para a população.
O problema é que em certos lugares a concentração de animais é tão grande, que traz riscos para a natureza. Afinal, onde tem muito bicho, tem muito estrume e muita urina. São dejetos que sem manejo adequado se transformam em fontes de poluição.
A ecóloga Magda Lima estuda o assunto na Embrapa Meio Ambiente, que fica em Jaguariúna, São Paulo. Segundo ela, se consideramos apenas os rebanhos confinados de bovinos, aves e porcos no Brasil, a produção de estrume e urina chega 410 milhões de toneladas por ano, o que equivalente a mais de um milhão de toneladas por dia.
“Você tem uma quantidade muito grande de elementos no solo e que às vezes não tem capacidade para absorver esses elementos. Pode ser também que tenhamos problemas de infiltração desses elementos até os lençóis freáticos. Podemos também ter problemas de contaminação de rios, açudes e recursos hídricos em geral”, alerta a ecóloga.
Sem o manejo adequado, os dejetos também atraem moscas, que podem transmitir doenças para rebanhos e seres humanos. Além disso, o esterco ao ar livre produz gases como dióxido de carbono e, principalmente, o metano. Esses são os chamados gases de efeito estufa, que provocam a elevação da temperatura do planeta.
Segundo especialistas, o fenômeno, conhecido como aquecimento global, já está provocando mudanças no clima.
A doutora Magda explica que várias atividades do mundo moderno, como indústrias, usinas, carros, aviões liberam gases que provocam o aquecimento global.
No campo, os maiores vilões são as queimadas, que geram dióxido de carbono; a movimentação de terra, que produz óxido nitroso; e os enormes rebanhos comerciais, que liberam milhões de toneladas de metano para a atmosfera. Quanto maior o volume de animais, maior a produção de gases poluentes.
Um grande desafio da agropecuária moderna é produzir alimentos de qualidade, em quantidade e, ao mesmo tempo, combater a poluição. Criadores no sul do Brasil estão conseguindo enfrentar essa questão de maneira inteligente.
Com lavouras, casinhas coloridas e fazendas arrumadas, o oeste paranaense chama atenção pela beleza e pela qualidade de vida. O produto mais importante da região de Toledo é a soja, cultivada principalmente em propriedades médias ou pequenas, com mão de obra familiar e tecnologia moderna.
Além de ter soja a perder de vista, a região também se destaca como um dos principais polos de produção de suínos do Brasil. O oeste do Paraná concentra cerca de 3,2 mil granjas. Juntas, elas abrigam nada menos do que 1,7 milhão de porcos.
A alta concentração de galpões e animais já provocou muitos problemas ao longo do tempo, como vazamentos de estrume, acidentes, descuido e descaso. Mas esse quadro vem mudando nos últimos anos.
Pequeno produtor típico da região, Serafim Zaura é de uma família de origem italiana que trabalha no campo há várias gerações. Ele planta soja, cria porco e até alguns anos atrás lidava com o esterco do jeito tradicional.
As primeiras mudanças começaram há oito anos. Os dejetos dos animais passaram a ser totalmente canalizados para esterqueiras de alvenaria. Ao longo do ano, o material é aproveitado na lavoura de maneira controlada.
Graças a esses cuidados, a granja do produtor passou a funcionar com licença ambiental. “Está todo mundo fazendo. É uma necessidade que as empresas cobram”, diz Serafim.
O biólogo Ademar Peiter é funcionário do Instituto Ambiental do Paraná, órgão responsável pelo licenciamento das granjas. “Atualmente, é difícil encontrar problemas. Ainda acontece na região por denúncias ou alguma coisa assim. É uma coisa normal você ir à propriedade e encontrar um ambiente desses”, explica.
A adoção em massa das esterqueiras representou grande melhoria para os criadores e para a natureza da região. Mas a esterqueira sozinha não resolve todos os problemas. Afinal, os dejetos ao ar livre também produzem gases poluentes, como o metano, que contribui pro aquecimento global. Então, entra o biodigestor. Com ele, além de evitar a contaminação do solo e das águas, os criadores reduzem a emissão de gases nocivos na atmosfera.
Um biodigestor nada mais é do que um reservatório coberto com lona plástica. O tanque que vai receber os dejetos tem paredes revestidas com concreto ou lona. O tamanho e a profundidade variam de acordo com o lugar e o volume de dejetos de cada criação.
O material entra no tanque e vai se deslocando lentamente até sair do outro lado. Durante o percurso, que dura cerca de 30 dias, ocorre o tratamento dos dejetos, que se tornam menos poluentes, como explica o engenheiro ambiental Guilherme Dalmazo.
“Dentro do biodigestor as bactérias presentes nos dejetos consomem a matéria orgânica proveniente da granja. É um processo biológico onde toda a matéria orgânica não digerida pelos animais é decomposta pelas bactérias no biodigestor, que vão se alimentando e produzindo o biogás”, detalha Dalmazo.
O biogás é inflamável e, por isso, pode ser aproveitado na propriedade como combustível. Ele pode movimentar motores, gerar energia elétrica e aquecer granjas ou casas nos meses de frio. Uma vantagem ecológica é que com a queima do gás ocorre a destruição do metano, muito agressivo pro meio ambiente. Outro benefício ecológico é que ao passar pelo tratamento, o dejeto da granja fica mais suave, com carga orgânica mais baixa. É o biofertilizante: um adubo orgânico de qualidade, que pode ser usado em pastagens e lavouras.
Além de funcionar com dejetos de animais, o biodigestor pode ser abastecido por outras fontes de matéria orgânica. É o caso das palhas e sobras de cultivo, do vinhoto das usinas de cana, do esgoto doméstico e até de restos de indústrias de alimentos.
sábado, 27 de agosto de 2011
Pica-pau-de-cara-amarela
Pica-pau-de-cara-amarela: Os poucos sobreviventes vivem nas matas gaúchas. Com o desmatamento, perde sua principal fonte de alimentação, as sementes das árvores.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Aquecedor solar baixo custo
Mono-carvoeiro ou Muriqui
Mono-carvoeiro ou Muriqui: O maior macaco do Brasil. É originário da Mata Atlântica. Atualmente restam apenas cerca de cem destes animais no estado do Rio de Janeiro.
Expedição Guariba-Roosevelt 2010
Um primata ainda não descrito pela Ciência, cinco espécies de animais em extinção, 313 aves, 208 peixes – sendo que 16 podem ser novas espécies - e 48 mamíferos de médio e grande porte: este foi o resultado das descobertas efetuadas na Expedição Guariba-Roosevelt, realizada na Amazônia, no Noroeste do Mato Grosso, de 1 a 20 de dezembro de 2010.
A ação teve como objetivo promover uma avaliação ecológica rápida de quatro unidades de conservação situadas no noroeste do Mato Grosso. As informações colhidas estão sendo analisadas e serão utilizadas na elaboração dos planos de manejo dessas áreas protegidas.
O WWF-Brasil registrou tudo e mostra, neste material, todos os detalhes do trabalho conjunto realizado na fronteira entre os estados do Mato Grosso e do Amazonas, na Amazônia brasileira. Boa leitura!
PRIMATAS: Nova espécie de macaco é tombada no Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA)
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira
Um novo horizonte se abriu para os estudos de primatas na Amazônia Meridional. Uma nova espécie de primata foi encontrada na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no noroeste do Mato Grosso e está sendo submetida a estudos que visam detalhar seu caráter inédito para os mastozólogos e primatólogos do mundo todo. O tombamento foi realizado em maio na coleção científica de mamíferos do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA).
O espécime, pertencente ao gênero Callicebus, conhecido como zogue-zogue, foi coletado durante a Expedição Guariba-Roosevelt, realizada em dezembro de 2010 pelo WWF-Brasil em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema) e a Mapsmut. Na ocasião, 9 pesquisadores visitaram quatro unidades de conservação do estado do Mato Grosso para colher subsídios para a redação dos planos de manejo dessas áreas protegidas. O trabalho durou vinte dias e terá seu resultado consolidado ainda este ano, com a publicação oficial dos planos de manejo.
O primata foi encontrado entre os rios Guariba e Roosevelt, dois dos mais importantes cursos d’água do noroeste mato-grossense. O pesquisador responsável pela descoberta, o biólogo Júlio Dalponte, esclareceu que o pequeno primata apresenta características de coloração diferentes das outras espécies de zogue-zogue conhecidas na região. “Este primata tem detalhes na cauda e na cabeça que não foram vistos até agora em outros zogue-zogues originários desta área”, contou.
Júlio explicou que o registro e depósito (tombamento) do animal significa, na prática, sua incorporação à uma coleção cientifica brasileira, no caso, a do Goeldi. “Este é mais um passo neste trabalho de descobrir e catalogar uma nova espécie. Ainda faremos sua descrição e a publicação de estudos mais detalhados sobre ela, mas não há dúvida de que seja uma nova espécie”, contou.
A descrição da espécie, com os estudos sobre suas características físicas e biológicas, deve levar cerca de seis meses para ser concluída. A publicação da descoberta em periódicos especializados pode levar até um ano entre a submissão do trabalho e a aprovação por parte dos comitês editoriais de revistas científicas.
Assim que chegou ao Goeldi, o primata foi classificado seguindo normas internacionais de taxonomia. Os dados biométricos do animal como peso, cor do pelo e comprimento de cauda foram registrados, assim como outras informações sobre sua ocorrência e sobre a coleta – como o pesquisador coletor, o habitat e período da coleta. Amostras de pelos e músculos foram retirados para análises moleculares e todas essas informações serão disponibilizadas futuramente em fichas informatizadas, passíveis de ser consultadas por outros pesquisadores.
“Ao tombar este animal numa coleção idônea, como é o caso do Museu Goeldi, damos um passo importante no sentido de conhecer a fauna do noroeste do Mato Grosso, que ainda hoje é um enorme quebra-cabeças com várias peças ausentes”, explicou Dalponte.
Segundo o coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, a descoberta de uma nova espécie de mamífero coloca em evidência a importância das unidades de conservação para a proteção das espécies da flora e fauna e também para a pesquisa científica. “O Brasil é uma país megadiverso e é fundamental a conservação dos ecossistemas e das espécies. Precisamos conhecer mais essa riqueza e promover o uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou Armelin.
Lançado em 2010 pela Rede WWF, o relatório Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009 mostrou que mais de 1.200 novas espécies de plantas e de animais vertebrados foram descobertas na Amazônia entre 1999 e 2009. Isso significa uma nova espécie a cada três dias. “Ainda há muito o que descobrir”, comentou o engenheiro florestal.
“A perda de habitats naturais continua sendo uma grande ameaça para a biodiversidade brasileira. Por isso, é muito importante a criação e implementação de unidades de conservação com a coleta de informações e elaboração dos planos de manejo. A realização da Expedição Científica Guariba-Roosevelt é uma forma de apoiar a secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso a conservar a riqueza natural do estado”, explicou Armelin.
A ação teve como objetivo promover uma avaliação ecológica rápida de quatro unidades de conservação situadas no noroeste do Mato Grosso. As informações colhidas estão sendo analisadas e serão utilizadas na elaboração dos planos de manejo dessas áreas protegidas.
O WWF-Brasil registrou tudo e mostra, neste material, todos os detalhes do trabalho conjunto realizado na fronteira entre os estados do Mato Grosso e do Amazonas, na Amazônia brasileira. Boa leitura!
PRIMATAS: Nova espécie de macaco é tombada no Museu Emílio Goeldi, em Belém (PA)
Por Jorge Eduardo Dantas de Oliveira
Um novo horizonte se abriu para os estudos de primatas na Amazônia Meridional. Uma nova espécie de primata foi encontrada na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, no noroeste do Mato Grosso e está sendo submetida a estudos que visam detalhar seu caráter inédito para os mastozólogos e primatólogos do mundo todo. O tombamento foi realizado em maio na coleção científica de mamíferos do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém (PA).
O espécime, pertencente ao gênero Callicebus, conhecido como zogue-zogue, foi coletado durante a Expedição Guariba-Roosevelt, realizada em dezembro de 2010 pelo WWF-Brasil em conjunto com a Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (Sema) e a Mapsmut. Na ocasião, 9 pesquisadores visitaram quatro unidades de conservação do estado do Mato Grosso para colher subsídios para a redação dos planos de manejo dessas áreas protegidas. O trabalho durou vinte dias e terá seu resultado consolidado ainda este ano, com a publicação oficial dos planos de manejo.
O primata foi encontrado entre os rios Guariba e Roosevelt, dois dos mais importantes cursos d’água do noroeste mato-grossense. O pesquisador responsável pela descoberta, o biólogo Júlio Dalponte, esclareceu que o pequeno primata apresenta características de coloração diferentes das outras espécies de zogue-zogue conhecidas na região. “Este primata tem detalhes na cauda e na cabeça que não foram vistos até agora em outros zogue-zogues originários desta área”, contou.
Júlio explicou que o registro e depósito (tombamento) do animal significa, na prática, sua incorporação à uma coleção cientifica brasileira, no caso, a do Goeldi. “Este é mais um passo neste trabalho de descobrir e catalogar uma nova espécie. Ainda faremos sua descrição e a publicação de estudos mais detalhados sobre ela, mas não há dúvida de que seja uma nova espécie”, contou.
A descrição da espécie, com os estudos sobre suas características físicas e biológicas, deve levar cerca de seis meses para ser concluída. A publicação da descoberta em periódicos especializados pode levar até um ano entre a submissão do trabalho e a aprovação por parte dos comitês editoriais de revistas científicas.
Assim que chegou ao Goeldi, o primata foi classificado seguindo normas internacionais de taxonomia. Os dados biométricos do animal como peso, cor do pelo e comprimento de cauda foram registrados, assim como outras informações sobre sua ocorrência e sobre a coleta – como o pesquisador coletor, o habitat e período da coleta. Amostras de pelos e músculos foram retirados para análises moleculares e todas essas informações serão disponibilizadas futuramente em fichas informatizadas, passíveis de ser consultadas por outros pesquisadores.
“Ao tombar este animal numa coleção idônea, como é o caso do Museu Goeldi, damos um passo importante no sentido de conhecer a fauna do noroeste do Mato Grosso, que ainda hoje é um enorme quebra-cabeças com várias peças ausentes”, explicou Dalponte.
Segundo o coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, Mauro Armelin, a descoberta de uma nova espécie de mamífero coloca em evidência a importância das unidades de conservação para a proteção das espécies da flora e fauna e também para a pesquisa científica. “O Brasil é uma país megadiverso e é fundamental a conservação dos ecossistemas e das espécies. Precisamos conhecer mais essa riqueza e promover o uso sustentável dos recursos naturais”, afirmou Armelin.
Lançado em 2010 pela Rede WWF, o relatório Amazônia Viva: uma década de descobertas 1999-2009 mostrou que mais de 1.200 novas espécies de plantas e de animais vertebrados foram descobertas na Amazônia entre 1999 e 2009. Isso significa uma nova espécie a cada três dias. “Ainda há muito o que descobrir”, comentou o engenheiro florestal.
“A perda de habitats naturais continua sendo uma grande ameaça para a biodiversidade brasileira. Por isso, é muito importante a criação e implementação de unidades de conservação com a coleta de informações e elaboração dos planos de manejo. A realização da Expedição Científica Guariba-Roosevelt é uma forma de apoiar a secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso a conservar a riqueza natural do estado”, explicou Armelin.
Petrobras quer distância de Abrolhos.
Mas não muita
Notícia - 25 - ago - 2011
A Petrobras afirma que não explora petróleo em um raio de 50 km em torno de Abrolhos, assumindo este como o limite legal da área de proteção ambiental.
Farol da Ilha de Santa Bárbara, no arquipélago dos Abrolhos
A Petrobras, em resposta a uma carta do Greenpeace, afirma que não explora petróleo em um raio de 50 km em torno do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, assumindo este como o limite legal da área de proteção ambiental. De fato. Já que é assim, poderia aceitar a proposta do Greenpeace: uma moratória de exploração de gás e petróleo por 20 anos em uma zona de 93 mil quilômetros quadrados.
A carta do Greenpeace para a Petrobras e outras nove companhias petrolíferas que têm blocos de produção encostados nos Abrolhos foi enviada em 26 de julho dentro de uma campanha lançada no mesmo mês pela organização. Nela, o Greenpeace explica a necessidade de se estabelecer uma área livre da atividade petrolífera na região de Abrolhos, maior e mais exuberante banco de corais do Atlântico Sul, para muito além dos limites legais atualmente protegidos.
A resposta da estatal é surpreendente porque está em choque com a atitude de seu principal acionista, o governo federal, que lutou tenazmente para derrubar a decisão da Justiça, que determinava uma zona de exclusão de exploração petrolífera no mesmo raio de 50 km no entorno de Abrolhos. Veja aqui a íntegra da carta da Petrobras
Ou seja, a posição da Petrobras pode ser vista como um começo, porém aquém do necessário. A área de 93 mil quilômetros quadrados proposta pelo Greenpeace foi determinada por estudos científicos para evitar que acidentes de qualquer tipo contaminem a biodiversidade de Abrolhos.
A moratória afeta treze blocos de exploração de petróleo atualmente sob concessão. A Petrobras é a empresa com mais operações na região, atuando em sete blocos.
“O fato de a Petrobrás reconhecer este limite de 50 km é um passo importante, mas insuficiente para garantir a segurança da biodiversidade em Abrolhos. A ciência já comprova que a maior área de recifes de corais do Atlântico Sul precisa de mais proteção, e as empresas podem dar o primeiro passo nessa direção”, declara Leandra Gonçalves, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Por outro lado, é decepcionante saber que a empresa, que patrocina projetos de preservação de baleias e tartarugas marinhas em Abrolhos, continue fechando os olhos à necessidade de se ampliar essa zona de proteção”, lamenta.
Poucas respostas
Além da Petrobras, somente a anglo-holandesa Shell e a angolana Sonangol responderam às cartas do Greenpeace Brasil. As outras sete empresas ignoraram a proposta de moratória. São elas: Vale, Perenco, OGX, Repsol Sinopec, Vipetro, Cowan e HRT.
A Shell agiu como Pôncio Pilatos. Preferiu lavar as mãos. Afirmou não ter o controle de nenhum dos três blocos em que participa como sócia e que não pode decidir pelo destino das operações. A Sonangol diz que sua concessão localiza-se em terra e que, portanto, ela não tem nada a ver com Abrolhos, que está no meio do mar. Trata-se de uma grossa bobagem, como certamente seus técnicos devem saber. Afinal, a concessão dos angolanos fica em cima bacias hidrográficas na costa baiana, cujas águas correm para o mar. Caso haja um vazamento, ele inevitavelmente seria levado pelos rios em direção ao oceano.
Todas as três empresas destacam ainda que suas atividades desenvolvem-se sob os mais rigorosos padrões internacionais de segurança operacional – não detalharam quais – e são licenciadas pelos órgãos ambientais responsáveis. Exatamente como as operações da BP (British Petroleum), que causaram o maior desastre ambiental dos EUA, no Golfo do México, ou do recente derramamento de 200 toneladas de óleo no Mar do Norte, provocado pela Shell.
Saiba mais sobre a campanha
Veja o site da campanha e assine a petição: www.greenpeace.org.br/abrolhos
Petição online: www.deixeasbaleiasnamorarem.com.br
Facebook: http://goo.gl/cx3lI
Twitter: @greenpeaceBR @coralcerebro
Youtube: http://www.youtube.com/user/greenbr
Notícia - 25 - ago - 2011
A Petrobras afirma que não explora petróleo em um raio de 50 km em torno de Abrolhos, assumindo este como o limite legal da área de proteção ambiental.
Farol da Ilha de Santa Bárbara, no arquipélago dos Abrolhos
A Petrobras, em resposta a uma carta do Greenpeace, afirma que não explora petróleo em um raio de 50 km em torno do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, assumindo este como o limite legal da área de proteção ambiental. De fato. Já que é assim, poderia aceitar a proposta do Greenpeace: uma moratória de exploração de gás e petróleo por 20 anos em uma zona de 93 mil quilômetros quadrados.
A carta do Greenpeace para a Petrobras e outras nove companhias petrolíferas que têm blocos de produção encostados nos Abrolhos foi enviada em 26 de julho dentro de uma campanha lançada no mesmo mês pela organização. Nela, o Greenpeace explica a necessidade de se estabelecer uma área livre da atividade petrolífera na região de Abrolhos, maior e mais exuberante banco de corais do Atlântico Sul, para muito além dos limites legais atualmente protegidos.
A resposta da estatal é surpreendente porque está em choque com a atitude de seu principal acionista, o governo federal, que lutou tenazmente para derrubar a decisão da Justiça, que determinava uma zona de exclusão de exploração petrolífera no mesmo raio de 50 km no entorno de Abrolhos. Veja aqui a íntegra da carta da Petrobras
Ou seja, a posição da Petrobras pode ser vista como um começo, porém aquém do necessário. A área de 93 mil quilômetros quadrados proposta pelo Greenpeace foi determinada por estudos científicos para evitar que acidentes de qualquer tipo contaminem a biodiversidade de Abrolhos.
A moratória afeta treze blocos de exploração de petróleo atualmente sob concessão. A Petrobras é a empresa com mais operações na região, atuando em sete blocos.
“O fato de a Petrobrás reconhecer este limite de 50 km é um passo importante, mas insuficiente para garantir a segurança da biodiversidade em Abrolhos. A ciência já comprova que a maior área de recifes de corais do Atlântico Sul precisa de mais proteção, e as empresas podem dar o primeiro passo nessa direção”, declara Leandra Gonçalves, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace. “Por outro lado, é decepcionante saber que a empresa, que patrocina projetos de preservação de baleias e tartarugas marinhas em Abrolhos, continue fechando os olhos à necessidade de se ampliar essa zona de proteção”, lamenta.
Poucas respostas
Além da Petrobras, somente a anglo-holandesa Shell e a angolana Sonangol responderam às cartas do Greenpeace Brasil. As outras sete empresas ignoraram a proposta de moratória. São elas: Vale, Perenco, OGX, Repsol Sinopec, Vipetro, Cowan e HRT.
A Shell agiu como Pôncio Pilatos. Preferiu lavar as mãos. Afirmou não ter o controle de nenhum dos três blocos em que participa como sócia e que não pode decidir pelo destino das operações. A Sonangol diz que sua concessão localiza-se em terra e que, portanto, ela não tem nada a ver com Abrolhos, que está no meio do mar. Trata-se de uma grossa bobagem, como certamente seus técnicos devem saber. Afinal, a concessão dos angolanos fica em cima bacias hidrográficas na costa baiana, cujas águas correm para o mar. Caso haja um vazamento, ele inevitavelmente seria levado pelos rios em direção ao oceano.
Todas as três empresas destacam ainda que suas atividades desenvolvem-se sob os mais rigorosos padrões internacionais de segurança operacional – não detalharam quais – e são licenciadas pelos órgãos ambientais responsáveis. Exatamente como as operações da BP (British Petroleum), que causaram o maior desastre ambiental dos EUA, no Golfo do México, ou do recente derramamento de 200 toneladas de óleo no Mar do Norte, provocado pela Shell.
Saiba mais sobre a campanha
Veja o site da campanha e assine a petição: www.greenpeace.org.br/abrolhos
Petição online: www.deixeasbaleiasnamorarem.com.br
Facebook: http://goo.gl/cx3lI
Twitter: @greenpeaceBR @coralcerebro
Youtube: http://www.youtube.com/user/greenbr
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Onça-pintada
Onça-pintada:Encontrada no Pantanal, desaparece da região devido à caça indiscriminada. Sua pele tem cotação em dólares no mercado internacional.
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